Em processos
seletivos com mais de sete mil alunos, 28,8% foram reprovados por conta de
erros na escrita
Lista de equívocos inclui “licensa”, “regeitar”, “trancição” e “flequicivel”
Lista de equívocos inclui “licensa”, “regeitar”, “trancição” e “flequicivel”
Candidatos precisavam
responder a um ditado com 30 palavras Divulgação
RIO - O jovem
brasileiro precisa aprender a escrever melhor. O quadro foi apontado por uma
pesquisa do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), que avaliou 7.219 estudantes
de níveis superior e médio, candidatos a oportunidades profissionais. Dentro
deste grupo, 28,8% perderam a chance de conseguir um estágio por causa dos
erros de português.
O levantamento foi
feito no ano passado, durante processos seletivos efetuados pelo próprio Nube.
Na hora da avaliação, os candidatos participaram de um ditado, no qual
precisaram escrever 30 palavras. Aqueles que apresentaram mais de sete erros
foram reprovados. Entre as respostas, apareceram termos como “essepicional”, no
lugar de "excepcional", e “sensura” em vez de "censura". A
lista ainda inclui “licensa”, “regeitar”, “trancição” e “flequicivel”.
Em seu detalhamento,
a pesquisa aponta que os candidatos mais novos, com idade entre 14 e 18 anos,
apresentaram melhor desempenho, com 75% de sucesso, superando outras faixas,
como as de 19 a 25 anos (68,9%), 26 a 30 anos (69,2%) e acima de 30 anos
(71,2%). Separando por níveis de ensino, alunos de médio técnico tiveram o pior
desempenho. Cerca de 37% ultrapassaram as falhas aceitáveis em um processo seletivo,
seguidos dos estudantes do superior tecnólogo (30%), médio (29%) e superior
(28,5%). Os estudantes de Ensino Médio, provenientes de escolas públicas,
tiveram desempenho pior (30%), se comparados aos de particulares (17%). Já na
faculdade, os dados quase se invertem. Cerca de 30% dos jovens das escolas
pagas ficaram para trás, contra 19% dos alunos das instituições públicas.
Entre os cursos, os discentes com pior desempenho foram os de Pedagogia (com 50% de reprovação), Jornalismo (49%), Matemática (41,4%), Psicologia (41%) e Ciência da Computação (40%). Na outra ponta estão os alunos de Comércio Exterior (com 83% de aprovação), Medicina Veterinária (82%), Relações Públicas (80%), Engenharia de Produção (80%), Nutrição (75,5%), Engenharia Elétrica (74,5%) e Direito (74%).
O coordenador de seleção do Nube, Erick Sperduti, classifica a situação como preocupante, visto que os jovens apresentaram dificuldade em escrever até mesmo palavras de seu cotidiano. Na avaliação dele, isso mostra que a educação brasileira está sendo falha tanto no nível básico, em que o português não é ensinado adequadamente, quanto na educação superior, que permite, em alguns casos, o ingresso de alunos semianalfabetos na graduação.
Entre os cursos, os discentes com pior desempenho foram os de Pedagogia (com 50% de reprovação), Jornalismo (49%), Matemática (41,4%), Psicologia (41%) e Ciência da Computação (40%). Na outra ponta estão os alunos de Comércio Exterior (com 83% de aprovação), Medicina Veterinária (82%), Relações Públicas (80%), Engenharia de Produção (80%), Nutrição (75,5%), Engenharia Elétrica (74,5%) e Direito (74%).
O coordenador de seleção do Nube, Erick Sperduti, classifica a situação como preocupante, visto que os jovens apresentaram dificuldade em escrever até mesmo palavras de seu cotidiano. Na avaliação dele, isso mostra que a educação brasileira está sendo falha tanto no nível básico, em que o português não é ensinado adequadamente, quanto na educação superior, que permite, em alguns casos, o ingresso de alunos semianalfabetos na graduação.
Para Erick, o
resultado também revela equívocos na forma como os jovens vêm conduzindo seus
estudos:
— Percebemos que eles se preocupam muito com o conhecimento técnico para a área de atuação e também com o inglês e o espanhol, enquanto acabam deixando um pouco de lado a língua portuguesa — alerta.
Para quem está buscando uma oportunidade profissional, Erick é enfático ao afirmar que aqueles que não estão em dia com o português certamente perderão as vagas. Segundo ele, é preocupação de todas as empresas que os seus funcionários saibam se comunicar corretamente, seja por e-mail ou numa apresentação de slides, por exemplo.
— Percebemos que eles se preocupam muito com o conhecimento técnico para a área de atuação e também com o inglês e o espanhol, enquanto acabam deixando um pouco de lado a língua portuguesa — alerta.
Para quem está buscando uma oportunidade profissional, Erick é enfático ao afirmar que aqueles que não estão em dia com o português certamente perderão as vagas. Segundo ele, é preocupação de todas as empresas que os seus funcionários saibam se comunicar corretamente, seja por e-mail ou numa apresentação de slides, por exemplo.
Por isso, ele
recomenda aos estudantes que sempre peçam uma avaliação de seus professores,
para que saibam se precisam melhorar em algum aspecto. O hábito da leitura,
segundo ele, também é fundamental. Buscar assuntos de interesse e manter um
dicionário sempre ao alcance das mãos ajuda bastante, sugere Erick.
Reforço na faculdade
Reforço na faculdade
Em algumas
faculdades, os alunos já contam com reforço no português, assim como em outras
áreas. No Rio, a Estácio de Sá oferece aos estudantes do primeiro período de
todos os cursos um programa de nivelamento de língua portuguesa, matemática e
conhecimentos gerais. As atividades são gratuitas e desenvolvidas nos ambientes
virtual e presencial. Outra opção é a disciplina de análise textual, cujo
objetivo é desenvolver a competência leitora e a capacidade para a escrita,
assim como localizar informações relevantes em textos.
Outro exemplo é
praticado pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), em São Paulo. A
instituição oferece, há oito anos, cursos de nivelamento que também são
gratuitos. Além de contemplar áreas como português e matemática, também há
opções como ética e cidadania e hábitos de estudo.
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