Um dia uma triste senhora que teve três filhos, e todos já estavam casados, contou:
Tenho três filhos. Os três me disseram que não tinha lugar para ela em suas casas. E ela continuou: Eu tinha lugar para os três. Agora, os três não têm lugar para mim. Vivo só. Uma sobrinha me disse que não posso, de jeito nenhum, morar sozinha. Mas nenhum dos três me querem. E as lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Não restam dúvidas que esta mulher, enquanto fica só, sem ter com quem conversar, deve repensar cada gravidez e todos outros momentos, que teve com cada um de seus filhos: dores, noites passadas em claro por causa deles, o sono que devia ser leve, para se acordar, quando alguns deles chorasse, ou pedisse por ela; as roupas que lavou, banhos que deu, a comida na boca, os remédios que providenciou, dinheiro que gastou com cada um deles... Como disse aquela mãe: "a gente se esquece da gente e pensa pelos filhos".
Quem sabe, durante todo tempo que estiveram com ela, nunca ela tenha se negado em socorrê-los e ajudá-los, quando pediam. E agora? Como cada um deles retribui? Quem se interessa por ela? Quem está disposto a gastar dinheiro, sacrificar-se, renunciar a divertimentos, passeios e suportá-la como ela é, e está? Ninguém! Nenhum! Ela os aceitou como eram. Nem seus xixis e cocôs fizeram-lhe sentir nojo e repugnância. Agora cada um se esquiva e tenta empurrá-la para outros, para um asilo, ou para qualquer um que esteja disposto a tomar conta dela. Ou então, que fique em casa só, arranjando-se como pode.
Há um provérbio que vem de muitas gerações, e é tão reconhecido e repetido, porque reflete muito bem o que acontece de fato na prática: Uma mãe cuida de doze filhos, doze filhos não são capazes de cuidar de uma mãe.
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